| Crônicas |
[Sep. 11th, 2006|05:25 pm] |
Meio da noite. Acho que 4 da matina. Acordo abruptamente, corpo todo molhado de suor.
- Sonho do caralho. Falo alto.
Nem sempre é bom conviver com imagens de ex mulher, ainda mais em sonho. Tipico pesadelo. Divórcio. Filhos. Contas. Lixo pra fora de casa. Mas acabo levantando, passando um sabão em um copo sujo de vodka, enchendo de água, tomando sempre de um gole apenas. Encho de novo, goles menores. Deito e durmo novamente. Cerca de 13 horas, levanto de vez. Domingo é bom por isso, sempre acordamos "um pouco" mais tarde. Passo uma água no rosto, coloco água pra esquentar pra preparar um café, preparo o filtro de pano com duas colheradas de pó, e espero... Água fervendo, jogo de uma vez em cima do pó, pronto. Misturo um pouco com açucar, e tomo devagar. Penso e rio.
- Café fervendo não dá pra beber de um gole só. E dou outra risada.
Visto a mesma camisa vermelha e uma bermuda velha, sento em frente a tv e ligo. Nada de interessante. Um gong show idiota num canal. A palavra de Deus noutro. Análises futebolísticas nesse. Paro e fico olhando. Um senhor no alto de seus 70 anos, falando poéticamente de times de futebol. Óculos de lenter grossas. Boca mole e murcha. Mas parece encantar a apresentadora deliciosa do lado. Com cara de deleite nas palavras do velhaco. Aliás, ser velho deve ser isso. Fazer poesias sobre tudo. As jovens devem gostar. Velho, romântico, inspirado, meio senil. Mas e a safadeza? O pau duro? Isso não é nada poético. Apesar que rola dura, tem o remédio azul. E rio novamente. E mais algumas poesias sobre o ponta de lança tal, sobre o goleiro que falhou, o técnico que ganha todas. Viadagem septagenária. E mais risadas. Devo ser um demente. Para todas ocasiões, eu vivo rindo sozinho. Todos devem me achar um louco. Mas sou apenas solitário, individualista de minhas piadas sem graças a mim mesmo. E rio novamente. Bobo alegre. Mais risos. Desligo a tv, coloco um cd pra ouvir. Portishead. Vou direto na faixa "All mine". Boa musica, bom clima. Sento, abro uma garrafa de cachaça mineira, sirvo uns dedinhos e fico degustando, ouvindo o som, sem nenhum pensamento na cabeça. Ou algum, apenas não lembro. Toca a campainha. Olho o relógio de parede. 15:40.
- Quem será a essa hora?? Falo me dirigindo a porta.
Dou uma olhada no olho mágico, mas não consigo identificar.
- Quem é? - Sou eu, caralho.
Abro a porta e vejo, um amigo, acompanhado de mais um cara e 3 garotas.
- Aí, falei pra você que iríamos vir, lembrou? - Ahhh, não estou lembrado, mas entre aí. - Beleza. Esse é o Miguel. Carla. Bia. Ana. O cara, descabelado, típico estudante neo hippie da usp. As três, duas magras, gostosinhas. E claro, ao meu gosto, uma gorducha, deliciosa. Ao passar por mim dou uma olhadinha em suas bundas. Gostei. Mais a de vestido florido. Carla, se não me engano. Cheinha, maçã do rosto avermelhado. Boca bem feita, vermelha. Bunda firme, mas que acompanaha o vai e vem do vestido. Botero iria gozar, só de ver. E mais risos inconscientes.
- E aí? Entrem. E trouxeram algo parecido com um almoço. Um frango assado de padaria. Uma farofa amarela, meio viscosa. Duas garrafas de vinho barato. Pão.
- Então, o que anda fazendo da vida? Perguntou.
- Bom, trabalhando muito. Me divertindo pouco. Sabe como é? Dinheiro...
- Ahhh e desde quando se precisa de dinheiro para garantir diversão. Ontem mesmo, com deizão, saí, conheci essas minas e tamo aí, convidei pra vir pra cá. Aceitaram. Só não sei se dão fácil. Dou um risadinha.
- É cara, às vezes é bom. Mas não estou me sentindo muito bem. Separação fode com a gente. Quando menos quer, aparece algo na cabeça e não sai. Essa noite já tive um puta sonho estranho. Estava casado novamente. Ouvindo reclamação por causa dos filhos. Do lixo que não levei pra fora. O mais engraçado, nada de filhos e o lixo eu nunca levei pra fora mesmo. Alguns risos.
- Mas aí, esquece disso, trouxe uma pra você, do jeito que gosta. Não tem do que reclamar.
- Claro, percebi. Se fosse outra magrela, não ia dar. Já sabe. É amarrar um fio na cintura e na hora da foda brincar de bilboquê. E demos uma sonora gargalhada.
- Essa foi foda!!! Vamos lá com o pessoal...Bilboquê...hahahahahahhahaha
Saímos da cozinha, rindo e nos dirigimos à sala. Levando o frango, pão, vinho e a farofa gosmenta. Cada um se serve com a mão mesmo, sem frescuras. Ainda bem, porque não tenho motivos pra comprar guardanapo, qualquer pano serve pra tirar gordura. O resto o sabonete se encarrega. No sofá de 3 lugares as garotas. No outro de 2, o tal de Miguel, meu amigo e eu puxei o banco de madeira. Observando o papo do Miguel com as garotas. E lá se vão as esperanças logo na primeira frase que escuto.
- Então, tenho relido muito Schopenhauer. A Metafísica do amor. Nossa, muito louco. Meu saco. Será que não fujo de gente assim? ou apenas atraio esses tipos. Penso. - Mas o meu forte mesmo é literatura sobre política. Sabe? Marx, Engels, Trotsky, Proudhon...
E as meninas quietas, fazendo cara de interessante. Até que uma fala... - Nossa, mas o capitalismo é coisa de satã. Poderíamos viver apenas do escambo. Realmente.
E todos riem alto. Dou um sorriso sacana, apenas fitando suas pernas descobertas pelo vestido florido. Continua o papo sobre libertarismo, anarquia, escritores, pensadores, mordidas no frango, gole no vinho, nacos de pão e a farofa intacta. Acho que até eles notaram o aspecto daquilo. E ficou ali. De repente o imbecil chamado Miguel solta:
- Como disse Proudhon: " A propriedade é um roubo."" Aí eu não me contive.
- A propriedade é roubo?
- Sim. Respondeu de pronto.
- Você já fodeu uma mulher no cú? Essa hora vi que uma das garotas quase engasgou e arregalou os olhos. Outra riu. Meu amigo deu um sorriso cínico. A outra apenas silenciou.
- Mas isso não é a questão sendo abrangida. Disse, com ar de aristocrata do saber.
- Como não? Você citou Proudhon. Você mencionou e bradou. Propriedade é um roubo.
- Sim, mas não vem ao caso se já fodi alguém pelo cu ou apenas a buceta.
- Se todo corpo é um templo, e cada individuo é proprietário de tal "templo". Então dominação ou submissão desse templo, também deve ser encarada como roubo. E calou-se.
- Mas na minha humilde opinião, o que interessa é o sexo. Foder e nada mais. Alguém mais concorda? E as meninas riram. Meu amigo deu outra forte gargalhada. Miguel com cara de bunda apenas consentiu.
- Então meninas, eu acho esse papo um saco. Prefiro coisas sadias e práticas. Como o sexo. Discutir ideologias e paradigmas de felicidade é masturbação mental. E masturbação boa e prazerosa, apenas dos genitais. E dou uma piscadinha. Uma mais animadinha, não sei se pelo vinho, diz:
- Sim, e muito dos prazeres e orgasmos que tenho são por masturbação. Nenhum homem sabe me tocar ou me faz sentir ao menos satisfeita, como só eu sei. Risos pela sala, um burburinho.
- Claro, auto conhecimento. Diz uma delas.
- Não quero comparar as atitudes de outras pessoas, sendo que só você sabe onde fazer, tocar, intensidade... E volta a animadinha.
- Não é isso. Mas tem cara que já chega de pau duro, tira a roupa, enfia, 2 minutos de foda, goza e deita pro lado, de repente, ronca. E mais gargalhadas. Vejo Miguel, cada vez mais desconfortável.
- Ahhh sim amiga. Esse tipo é o que tenho em casa, não é Miguel. Pronto. Era o que faltava pra completar o domingo do cara. A mina dele falando que ele se dedica mais aos livros do que sexo.
- Não querida, não é. Responde ele seco. Sinto uma certa aura pesada no ar entre os dois amantes. Também vejo que meu amigo troca olhares com a magrela punheteira. Me sobra a gorduchinha. Óbvio. Tento voltar o assunto.
- E você? Nada diz? Ela avermelhada, com um sorriso sacana, olhar de colegial, dá um trago no cigarro...respira e solta:
- O que gostaria de saber, meu bom? Retribuo o sorriso.
- Sobre o que estamos falando...
- Bom, só tenho conhecido canalha. Do tipo que leva horas me cantando e minutos de alegrias. Depois some, nunca mais liga, nem nunca mais aparece... E volta com o copo na boca.
- Se é só pra comer, não precisa me prometer casamento, fala que me acha gostosa. Tá afim de me foder e pronto. Vinho barato é bom por isso, deixa a lingua solta e os movimentos livres...
- Bom, te acho muito gostosa. Digo depressa.
- Sabia. Você me parece ser inteligente e sensível. Pisca, sorri e deixa o copo na mesinha de centro.
Foge o assunto, falamos mais algumas besteiras coletivas e rimos muito. Por volta de 20hs meu amigo decide ir. Miguel ainda puto com o comentário da namorada devia estar pensando que demorou para o amigo decidir. Nos despedimos, apertos de mãos, beijinhos, abraços. Digo a Miguel para relaxar, afinal, ler é bom, mas buceta ainda é melhor. Me dá um sorrisinho amarelo pega na mão da mulher e sai. Meu amigo fala mais algumas coisas, engata na mina dele e sai logo atrás. A gorduchinha vem e me dá um longo abraço, um beijo demorado no rosto...Me dá as costas, mas seguro seu braço.
- Você não precisa se preocupar em ir agora.
- Bom, se você contar quem tenho mãe e pai para dar satisfação, entenderia. E ri sacanamente.
A puxo de repente, pego forte na cintura com um dos braços, com a outra mão afasto os poucos cabelos que caíram no rosto. chego bem perto de sua boca.
- Te darei 3 bons motivos para não ir agora. E dou um beijo longo, molhado, lingua pra lá e pra cá...
- Foi apenas o primeiro motivo...
Ela mesma fecha a porta empurrando com os pés. Olha para a minha boca e suspira.
- Hummm...o primeiro foi ótimo, agora o segundo e o terceiro.
Volto a beijá-la, um pouco mais longo. Escorrego minha boca sobre sua bochecha, deslizando até encontrar seu pescoço. Sigo mordendo, lambendo, chupando de leve. Até escutar mais suspiros e gemidos. Paro.
- O segundo motivo. Ela não me responde. Apenas arruma o cabelo atrás da orelha. Se recompõe.
- Terceiro e último.
Beijo demorado novamente, agora com as mãos liberando as alças do vestido de seus ombros, deixando cair suavemente por seu corpo. E ali está um belo par de seios. Médios. Um pouco rijos. Aréola rosada. Pronta pra receber minha boca. Começo lamber suavemente, até chegar no biquinho, já duro...E chupo, lambo, mordisco...Respiração ofegante, suspiros...Minhas mãos tocam sua bunda volumosa...Gostosa...Agora apenas com sua calcinha de algodão. Típica colegial. Coloco minha mão por dentro e começo a massagear sua xana, derretendo de tanto tesão...
- Ahhhhh...
Apenas esse o som quando toquei seu grelo e o massageei. Movimentos circulares, ora lento, ora rápido, ora com pressão, ora leve... Parei.
- 3 bons motivos não?
Nada respondeu. Apenas se ofereceu novamente. Já pegando no meu pau sobre a calça. Se abaixou. Abriu o ziper. Colocou pra fora e caiu de boca...Gostosa...bem ritmada...boca molhada...Levanto, dou um beijo rápido e a levo pro quarto. Mas uma sessão de beijos, boquete se trasnformando em 69, procuro uma camisinha e a fodo com gosto...Primeira...Segunda...Terceira...Nos demos conta do horário, já passava das 23. Ela se levanta, me pergunta onde tem uma toalha. Indico apenas, estou meio sem palavras. Ela pega e sai para o banho. Volta em meia hora, enrolada na toalha, cabelo um pouco molhado e sorri. Senta ao meu lado, tira o cigarro da minha mão, dá uma tragada, e me devolve. Sorri novamente.
- Muito bom seus 3 motivos. Mas agora realmente tenho que ir. Diz, sem eu nem falar nada.
Procura sua roupa, veste, me pede um papel e uma caneta. Indico apenas, estou ainda sem palavras.
- Esse aqui é meu telefone. Espero que o cavalheirismo não tenha morrido aí dentro.
Apenas balanço a cabeça afirmando que sim. Ela vem, me dá outro beijo. Outro sorriso. E sai.
Olho o papel. Sonolento. Viro pra esquerda. Durmo.
Continua... |
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